Mergging XVIII – Empreendorismo social e problemas complexos IV

Nos três postais anteriores apresentamos as questões complexas e a sua relação com empreendorismo social. Afirmamos que os problemas complexos “wicked problems” se apresentam na forma de nódulos de interacção. Quando se atua sobre uma das suas dimensões, verificam-se alterações em outros processos adjacentes, produzindo alterações de estados, irreversíveis ou não. Assim a resiliência dos sistemas dependeria da ultrapassagem daquilo que seriam os “tiping points”.

Afirmamos também que a questão da ação, no campo da economia social se relaciona com a questão do empreendorismo social. É certo que os problemas complexos se encadeiam na ideia das fronteiras sociais (de Kate Raworth http://www.kateraworth.com/doughnut/ ) e nas fronteiras do planeta que mais á frente se abordará.

A ideia base do conhecimento holístico é de que é necessário usar os vários conhecimentos disponíveis, que têm sido produzidos de forma separada, de forma a agrega-los num nível superior. Esse é um problema complexo, como integrar o conhecimento da ciência, da economia, da estatística, as tecnologias, da medicina, da política, para produzir uma ação.

A economia solidária, tem como propósito integrar os processos de transição. Isto é embora na origem da economia, o trabalho de Adam Smith tenha proposta a relação, natureza, capital e trabalho, como fundamento, a economia clássica (e a marxista) evolui sobretudo considerando a relação capital/trabalho. Uma relação que se passa no mercado, seja ele livre ou orientado. Nesta regulação da relação de mercado o Estado ora regula a liberdade, ora orienta as trocas. Nesta relação de troca onde tudo é reduzido pela teoria do valor à mercadoria, verificou-se um “esquecimento” da dimensão da natureza.

Recorde-se que Adam Smith na sua “Riqueza das Nações” considerava a natureza como a “terra”. Não será necessário recordar aqui que o que sucedeu em Inglaterra com a questão da revolução agrícola, com a aplicação das tecnologias, o efeito da afluência de mão-de-obra às cidades, a abundância da alimentos, como elemento explicativo da revolução industrial. Ou seja, a natureza é integrada sobretudo com um recurso. Ou seja mesmo que Adam Smith tenha incluído a natureza como um dos elementos da equação, a ampliação do pensamento económico ao reduzir a natureza a um recurso, perde o equilíbrio virtuoso. Assim como mais tarde a redução do trabalho a um recurso também o fará.

A perda de relevância da natureza no pensamento económico está relacionada com dois fenómenos da ciência. A quantificação e o problema do infinito (o que levanta a questão da incompletude da ciência que noutra altura falaremos).

O crescimento infinito é uma impossibilidade no mundo natural. As leis da física dão uma clara indicação de que tudo se troca duma troca de energia.

Por outro lado a quantificação apresenta por seu turno dificuldade em medir fora da sua escala. A quantificação é eficiente quando a escala dos fenómenos são estáveis. Em situações de turbulência, quando a possibilidade de mudança de qualidade está presente, são necessários escalas qualitativas.

Pedro Pereira Leite
Pedro Pereira Leite
Researcher and professor. He had his PhD. on museology in 2011, with the title “Muss-amb-ike Homeland: The commitment on musicological… Ler mais

OpenEdition sugere que esta publicação seja citada da seguinte forma:
Pedro Pereira Leite (24 de Outubro de 2015). Mergging XVIII – Empreendorismo social e problemas complexos IV. Global Heritages. Recuperado em 18 de Agosto de 2026 de https://doi.org/10.58079/p2vt


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