Excessos XII O tempo e a alma

Na génese da literatura portuguesa assumem-se duas heranças. A épica e a poética. Talvez Camões em “Os Lusíadas” seja o melhor exemplo dessa síntese.

Uma herança clássica, pela via erudita, estudada sem dúvida em Coimbra, vivida em amores arrebatados nas margens do Mondego.

Será Camões apenas um “clássico”. Qual lugar a herança vernácula na poética camoniana?

Qual o lugar do arrebatamento da alma face aos esconsos do instinto?

Como explicar o tempo da tensão entre os instintos e o desejo do êxtase e a sua relação com os objetos.

Procurando na poética popular dos jograis

Em Lixboa sobre lo mar

barcas novas mandei lavrar,

ay mia senhor velida!

 

Em Lisboa sobre lo lez

barcas novas mandei fazer,

ay mia senhor velida!

 

Barcas novas mandei lavrar

e no mar as mandei deitar,

ay mia senhor velida!

 

Barcas novas mandei fazer

e no mar as mandei meter,

ay mia senhor velida!

João Zorro jogral Sec. XIV

Pedro Pereira Leite
Pedro Pereira Leite
Researcher and professor. He had his PhD. on museology in 2011, with the title “Muss-amb-ike Homeland: The commitment on musicological… Ler mais

OpenEdition sugere que esta publicação seja citada da seguinte forma:
Pedro Pereira Leite (2 de Outubro de 2015). Excessos XII O tempo e a alma. Global Heritages. Recuperado em 5 de Setembro de 2026 de https://doi.org/10.58079/p2v7


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